TuLeePa

Thursday, August 31, 2006

Pa'is diferente, mesmo tempo merdoso....

Devido a dificuldades tecnicas (falta de tempo/falta de internet cafes), nao me tem sido possivel actualizar o blog. No entanto, resolvi retornar a idade da pedra e transformar a caca de galinha que eu tomo por pensamentos em escrita, 'a espera de uma oportunidade para transcrever para c'a. Eu sei que nao 'e verdade, mas faz-me bem ao ego pensar que algu'em ainda est'a interessado nas minhas peripat'eticas perip'ecias centroeuropeias. Portanto, nao percam o proximo episodio.
Breve actualizacao: j'a estou na Republica Checa. Praga continua linda. Por incrivel que pareca, ainda me lembro de quase tudo, desde como chegar a alguns sitios `a historia da Rep. Checa. Mas mesmo assim d'a para encontrar mudancas. Os fundos europeus tem sido postos a bom uso por aqui (ao contrario do que se passa com certos paises na cauda da Europa que eu conheco). O aeroporto j'a nao parece tao assustador, as casas de banho dos museus tem melhor aspecto( o papel higienico continua a ser sovietico, ja tenho saudades das minhas folhas duplas com aloe vera holandesas...).
O mau tempo continua a perseguir-me. Aqui j'a nao 'e a chuva que me chateia, mas sim o frio. No dia 28, quando cheguei, estava a amena temperatura de 10 graus. Se nao fosse a necessidade de sair por a'i e tirar fotos para justificar `as unidades paternais onde anda a ser gasto o fundo tao gentilmente por eles cedido para o meu engrandecimento cultural, teria so ficado no hostel colada ao aquecimento central...
Por agora, 'e s'o.
Ps: estou a lutar contra a vontade deveras bitchy de levar como recuerdo ao meu irmao uma t-shirt a dizer "My sister went to Prague and all I got was this lousy t-shirt"...

Tuesday, August 22, 2006

Cirurgia Hannibal-style


Hoje retornei à Neurocirurgia, a convite do único cirurgião do Depto que parece interessado em me explicar alguma coisa (ou sequer em falar comigo em inglês), para assitir a uma daquelas operacões à filme: open brain surgery com o paciente acordado. Foi muito giro: como que por magia, o homem melhorou mesmo à minha frente. Era um tipo de 41 anos, com early-onset Parkinson's,que tremia de tal modo que até beber água por uma palhinha era um desafio. De repente, deram-lhe um choque num núcleo subtalâmico qualquer, e ele parou de tremer. Lindo. Basicamente, ao fim de 3 horas de cirurgia, já podia voltar a trabalhar como eng informático (o pobre homem tinha sido obrigado a despedir-se há dois anos porque, convenhamos, não é um trabalho muito fácil quando se leva 3 minutos a premir uma tecla, e há uma grande probabilidade dessa ser a vizinha da tecla que se pretendia em primeiro lugar... ).
Por isso é que eu quero ir para cirurgia: abre-se, corta-se, cose-se e já está, problema resolvido. Bem, na maioria das vezes...
No entanto, tive que me morder por dentro para não gritar: "I hate his liver with a nice Chianti! Schlp schlp schlp!"

Monday, August 21, 2006

Ik ben Nederlands!


Apesar da minha tentativa de imersão total na cultura holandesa, ainda há algumas coisas que o meu pobre cérebro latino se recusa a ceitar. Mas, depois deste fim de semana, são muito menos (e principalmente relacionadas com os hábitos alimentares dos holandeses).
Este domingo o Groningen Group resolveu dar um golpe separatista e enquanto todos os outros intercâmbios iam passear para um lago que há aqui perto, nós fomos para Schiermonnikoog, uma ilha no Mar do Norte. O intrépido grupo de exploradores, ignorando as nuvens no céu, resolveu fazer um programa totalmente dutch: apanhar o ferry até à ilha, passear por lá de bicicleta, se possível wadloopen (andar na lama) e voltar ao fim do dia.
Assim que saímos do ferry, comecou a aventura: a escolha da bicicleta! Eu acabei por ir num modelo deveras retro, sem mudancas, e que para travar é preciso andar com os pedais para trás (ou seja, igual à bicicleta que eu tenho aqui em Groningen)
Schiermonnikoog é uma ilha pequenina, mas que parece conter 9 diferentes ecossistemas. Vimos de tudo: vaquinhas holandesas a pastar, a vila (extremamente pictoresca), praia, lama, floresta de pinheiros, bosque silvestre, campo florido e campo cultivado, em apenas 14km por 4km. E o tempo estava um perfeito verão holandês: sol, chuva, tempestade, e tudo o que é possível pelo meio. Mas os intrépidos exploradores, como bons holandeses, continuaram a pedalar, caminhar e inclusive almocar em baixo de chuva.
Quanto ao wadloopen, no final não foi possívle, devido ao horário das marés e porque estava demasiado frio para me enterrar em lama gelada até aos joelhos (para me tornar tão holandesa a esse ponto teria que pintar o cabelo de loiro e usar lentes de contacto azuis...). Mas ainda chapinhei na lama calcada (mais vale pouco do que nada...).
No ferry de volta, morta de cansaco e com o rabiosque dorido de tanta bicicleta, tomei uma decisão: no próximo dia de mercado, vou provar o arenque crú!

Já encontrei pelo menos os moinhos!



O programa social nacional da IFMSA holandesa foi em Groningen este fim de semana. No Sábado fomos a uma aldeiazinha chamada Pieterburen ver um hospital de focas. Foi girito, e finalmente vi moinhos! Aparentemente, os moinhos tem medo de comboios, e só podem ser avistados quando viajando de autocarro. E ao pé do hospital havia um moinho que podia ser visitado. O voluntário que lá estava (rapidamente apelidado de Windmill Boy) explicou-nos como é que o moinho funcionava e contou-nos algumas histórias sobre moleiros solitários que se suicidavam utilizando os mecanismos do moinho (principal razão porque foi interessante perceber como é que o moinho funcionava), demonstrando uma paixão por moinhos de vento pouco saudável para um rapazinho tão giro e tão novinho...
E depois do moinho, fomos a uma esplanada que tinha trampolins gigantes, onde meninos e meninas grandes também podiam brincar! Fartei-me de saltar no trampolim (aquilo cansa de verdade). Foi a melhor parte do dia! Também quero um!

Budget holandês

Descobri que 1% do budget do UMCG é utilizado na compra de arte para enfeitar os corredores. E pelo que me contaram, esse 1% é muito, muito dinheiro. O conceito de um hospital com dinheiro a mais é demasiado estranho para mim. O conceito de um hospital onde nunca há falta de nada também. Assim como para eles é perfeitamente inconcebível não ter algum material que precisem ou desrespeitarem ou serem desrespeitados por um doente. Eu já vi mais doentes com tuberculoses que a maioria dos médicos que trabalham aqui (um doente com TB é razão para isolar toda uma área do hospital, e vem gente de outros departamentos só para dizerem que viram um tuberculoso). Não sei se resisto ao choque cultural de voltar`a Tugalândia...

Friday, August 18, 2006

Como transformar 2382km em 4952km

O percurso Lisboa-Groningen via Aveiro/Porto/Londres/Eindhoven foi simplesmente um treino para o verdadeiro cross-country europeu: Groningen/Amsterdão/Praga/Budapeste/Colónia/Lisboa, passando pela Eslováquia algures pelo caminho. Os purista poderão refilar do facto de esta viagem não se realizar num período único de 24h, mas sim ao longo de 16 dias, mas penso que mesmo assim mereco pontos pelo esforco.
Aceitam-se sugestões para sight-seeing no trajecto.

O cérebro dos outros

Olhar para um cérebro é simplesmente incrível. Como é que aquela massa pulsante e gelatinosa, ligeiramente repugnante, pode guardar tanta coisa? E como é que um neurocirurgião tem coragem de cortar por ali afora? E se o bocado que ele acabou de mandar para Patologia continha as memórias do casamento, do nascimento do filho, e da vez em que o Benfica ganhou o campeonato? Scary... Neurocirurgia já é uma carta fora do baralho para mim. É interessante, assustadoramente tecnológico, mas infelizmente acaba por ser sempre tudo a mesma coisa: abre crânio, mexerica no cérebro, encontra tumor, destrói tumor durante 3 ou 4 penosas horas com uma espécie de híbrido caneta/aspirador, fecha e vai pra casa. O depois (ainda se lembra do nome dos putos ou não, etc) fica para a neurologia. Se não há sangue no dreno, não há razão pra ficar ali. É giro, mas farta. Portanto, saltei para Neurologia durante dois dias, para ver como é o depois.

Tuesday, August 15, 2006

Plano de Emergência Solar

O domingo passado, apesar da previsão metereológica (chuva, chuva e depois mais chuva) foi o dia mais bonito que eu vi desde que cheguei a Groningen. Acordei cedo (possivelmente estranhando a falta do barulho da chuva no telhado), peguei na bicicleta e fui curtir um solzinho. Para os parâmetros portugueses, o dia seria considerado no máximo esplanada-worthy, nada de especial. Possivelmente, a maioria ficaria em casa vendo televisão. Aqui, é o suficiente para activar o Plano de Emergência Solar: não sei se através de sirenes ou avisos na rádio, todos os habitantes da cidade são avisados da eminência de um dia de sol, e imediatamente tomam as devidas precaucões. Os que tem uma varanda, colocam a mesinha e as cadeiras. Os outros levam a cadeira e a mesa para o passeio, jogam um cobertor no chão e jogam as criancas em cima para brincarem ao sol. Todos os bancos de todos os parques são ocupados, e os atrasados se jogam na relva. Ninguém fica em casa.
Isso tudo por 22 graus sem chuva. Como em Roma, faz como os romanos, tomei banho em FPS 40 e derreti no sol, com o mesmo sorriso idiota dos outros branquelos.

Monday, August 14, 2006

Bitching about...

A cabra não tão secreta que há em mim já andava a desesperar... Tudo aqui funciona tão bem, que há quase quinze dias que não tenho oportunidade de bitch livremente sobre nada. Como é que é possível reclamar de um hospital onde os doente estão felizes, os quartos são óptimos, os médicos pontuais? E que dizer de uma cidade onde não há lixo na rua, os carros respeitam as biciletas, e as bicicletas respeitam as pessoas? É desesperante! Mas finalmente encontrei algo que não funciona! Rejubilai, lusodescendentes de ambos os lados do Atlântico! A Europa civilizada também tem podres!
O meu alvo? O Tourism Information Office de Groningen. Onde é que já se viu um posto de informacão turística que não oferece mapas, e cobra 2 euros por uma merdinha malfeita que só compreende o centro da cidade e nem sequer tem as ruas todas? E empregados a quem é preciso utilizar ferros em brasa para sacar informacões básicas, e cuja resposta é quase inevitalvelmente "temos esse guia, mas só em holandês"? Ok, eu sei que é pouco, mas não consegui arranjar nada melhor. Ao menos já é alguma coisa...

Friday, August 11, 2006

Desigualdades económicas...


Há certas coisas que o meu cérebro não consegue processar: como é que é possivel que um Big Mac custe o mesmo na Hoalnda que em Portugal? Como é possível que o preco da cesta básica no supermercado seja o mesmo, tendo em conta que o salário mínimo é três vezes superior? E então, se tudo é ao mesmo preco, porque é que a cerveja é mais cara? Dois euros por um fino pesam no orcamento (principalmente porque nunca é só um...) Porquê esta diatribe? Para tentar explicar a mim própria que voltar a entrar no bloco operatório e vestir o pijama só pra roubar sopa grátis na sala dos médicos é perfeitamente justificável.

Wednesday, August 09, 2006

Pimp my Hospital / O cirurgião viking

Nunca vi uma utilizacão tão abusiva de ecrãs gigantes de plasma como neste hospital. Só o Xzibit e o pessoal do West Coast Customs (para quem não conhece... http://en.wikipedia.org/wiki/Pimp_My_Ride) é que conseguem arranjar maneira de acumular tanto ecrã junto. Há um gigante na nurses' station nas Emergências, um em cada sala de operacões, dois em cada corredor do Bloco Operátório. Enfim, estão em todo o lado. Tem finalidade? Alguma, isso é indiscutível. Mas continua a ser um abuso.

Qualquer pessoa que tenha estado num Servico de Cirurgia em Portugal sabe descrever o cirurgião português típico: baixo, careca, e com uma barriga que também funciona como porta-mãos. Bem, o cirurgião típico holandês tem pelo menos um metro e oitenta e cinco, tem cabelo loiro ondulado e parece saído da capa da Men's Health. Se alguém ainda anda à procura de um médico para casar, this is the right place (infelizmente, eu sou uma batata casada... sniff sniff).
O meu tutor hoje parecia um deus viking. Digamos só que ele era tão alto, que a mesa de operacões me dava pelo nariz, e precisei de dois estrados só para conseguir ver alguma coisa. É uma merda ser baixinha...

Amsterdão em 48 horas


Amsterdão é na realidade uma cidade muito diferente do que eu imaginava. Alguns estereotipos sobreviveram (coffesshops em cada esquina, turistas bêbados /drogados também), mas Amsterdão é muito mais do que isso. É uma cidade linda, civilizada, idolatrada pelos seus habitantes. É uma cidade onde é extraordinariamente fácil uma pessoa se perder, mesmo quando se tem o meu sentido de orientacao (não aceito discussão em relacão a este assunto: o meu sentido de orientacão é óptimo). Os canais que curvam sem nos darmos conta, o facto de todas as ruas serem igualmente agradáveis, e as casas igualmente magníficas, e igualmente de tijolinho vermelho, fazem com que rapidamente uma pessoa não saiba onde está. E isso é muito bom (principalmente para alguém com o meu sentido de orientacão, que raramente está perdida...).
Quanto ao Red Light District, é uma pequena desilusão. Na verdade, não passa de algumas ruas, e está tão repleto de turista que perde grande parte da sordidez que o tornaria interessante. Mesmo assim, ainda vi alguns negócios a serem discutidos... O Melhor do Red Light District é a Oude Kurke, uma igreja monumental mesmo no centro do bairro. Uma pessoa até imagina alguém a tocar orgão para as prostitutas a meio da noite, tentando salvar pelo menos uma alma. (ok, talvez tenha acabado de ler um livro do John Irving, chamado "until I find you", onde a personagem principal é um organista que por acaso toca na Oude Kurke, a tentar convencer alguma das meninas a juntar-se ao seu rebanho...)
Mas acho que até me saí bem:
- dancei num bar gay
- percorri 8 km de canais
- fui a uma coffeeshop
- fui ao Van Gogh Museum
- vi o pouco que está em exibicão do acervo do Reijksmuseum
- e, ponto alto do abuso turístico, um tour de bateau moche pelos canais
Nada mau para quarenta e oito horas...

Gay for a Day

Penso que nada simboliza tanto o liberalismo de costume dos holandeses como a Gay Pride Parade, e o facto de transformarem o evento mais gay possível num programa para toda a família. Entre drag queens e cowboys com calcas de couro e rabo à mostra, famílias inteiras, com direito a avós e bebés de colo, cantavam e dancavam ao som de Gloria Gaynor, Village People e Take That. Uma espécie de desfile das Marchas Populares em Lisboa, mas em barcos, com um número consideravelmente maior de homens, e muito menos, mas muito menos mesmo, roupa.
Mas quando em Roma, faz como os romanos (ou quase, dentro do socialmente aceitável). Portanto, comprei um colar havaiano colorido, vesti a minha t-shirt "Boys are Toys" (um sucesso, diga-se de passagem) e caí na gandaia. Passei a noite num bar gay (embora me pareca que durante o fim de semana da gay parade todos os bares e todas as ruas sao gays), a dancar até às cinco da manhà com os outros intercambios e dezenas de homens lindos, musculados, bem vestidos e incrivelmente gays. Fui ao WC com um amigo, que não teve coragem de ir sozinho (no means no, mas mesmo assim o assédio era forte). Fiz duas "amigas"na fila para o WC feminino, porque em bar gay cada um escolhe qual é o seu género, e para um local com um ratio homem/mulher de 100/1, a fila para o WC era igual tanto para a little ladies' como para o little boys'. Fui para casa num Renault ainda mais velho que o LeeMobile, verde alface, onde era preciso segurar as portas durante a viagem, e sobrevivi to tell the tale.
No dia seguinte, a loucura: a Gay Parade by boat, atravessando os principais canais de Amsterdão. Os meus muito moídos pés lá se aguentaram à bronca, e passamos 4 horas seguindo os barcos. Apesar de toda a gayzice, até acabou por ser uma maneira muito original de visitar a cidade. Resultado final do dia: 8 km percorridos a pé, dois convites para festas privadas onde o traje era "army, uniform, leather, fetish and fetish glam"(a que infelizmente não podemos ir devido às limitacoes de um guarda roupa de viajante...) e uma tentativa de engate lésbico (não era o meu género...)

Tuesday, August 08, 2006

Onde é que estão os Moinhos e as Tulipas?




Gosto dos comboios holandeses. São confortáveis, pontuais, rápidos e vão para todo o lado. E, em algumas situacões (poucas...) são muito baratos. Após peregrinar de Eindhoven a Groningen, e de Groningen a Amsterdão, já vi grande parte do que a paisagem holandesa tem para oferecer. É verde, bonita e civilizada. Muitas das casas e quintas pelas quais passei tem uma cama elástica no jardim para as criancinhas (Pops, Moms, como é que vocês nunca pensaram nisso?). Mas há algo que me mistifica: where da fuck estão os moinhos e as tulipas? Todos os outros estereotipos holandeses eu já vi: vacas holandesas aos montes, bicicletas já tou farta, coffeshops, socas de madeira, mamocas ao léu à luz do neón vermelho... Mas onde é que andam os moinhos e as tulipas?

Friday, August 04, 2006

Photoblog

Dá demasiado trabalho pôr as fotos neste blog. Blogger que é blogger também tem photoblog: http://www.photoblog.com/user/leelocas

O holandês é um bicho estranho




A idéia de privacidade aqui nas Netherlands é relativamente difícil de compreender. Se por um lado as pessoas são privadas ao ponto de cada um ter a sua própria casa dentro de uma casa, partilhando só WC e cozinha, por outro ainda não descobriram para que servem as cortinas. Portanto, a combinacão de casas térreas, janelas grandes e inexistência de cortinas faz com que uma pessoa rapidamente fique com uma idéia de como o holandês médio vive. Algumas das conclusões a que eu cheguei:
1) a maior parte das casas não tem divisões no r/c (porque da rua eu conseguia ver o jardim do outro lado da casa)
2) quase todas as casa tem um jardinzinho na parte dos fundos (ver 1 para explicacão)
3) toda a gente ou lê muito, ou quer impressionar os amigos tendo pelo menos uma parede da sala coberta de livros
4) os gatos são os animais de estimacão preferidos, e passam metda da vida encostados às janelas a mostrar as garras a turistas sem nada que fazer que se divertem a bisbilhotar a casa dos outros
5) os holandeses geralmente têm bom gosto (na minha opinião), e muitos deles tem móveis que parecem construídos por eles (ao que parece, são todos muito jeiotosos com ferramentas)
6) apesar de todas as evidências em sentido contrário (chove todos os dias), eles continuam a acreditar que estão no Verão (vide foto)



Thursday, August 03, 2006

Como percorrer 2382km da forma mais dificil e mais pelintra

Fácil: comeca-se a viagem na Estacao de Santa Apolonia, as 20:55 de 31/07/06; no comboio Alfa Pendular com destino ao Porto, que efectua paragens em diversas estacoes, incluindo Aveiro. Da estacao de Aveiro, as 23:22, vai-se quase directamente para a Pizzarte, comprar Panne de Pizza pra jantar e pra levar na viagem no dia a seguir (os voos baratos nao inculem comida...). Em seguida, dormir 3 horinhas no sofa da Dida (muito confortavel, recomendo) e arrastar os 15 kg que constituem a minha vida nos proximos 45 dias até à estacao às 05:45 da manha de 01/08/06. Na estacao de Sao Bento, mais uma alma caridosa me ajuda nesta longa caminhada. Apesar da minha falta de fé, a Pisinha estava lá às 06:50, para servir de minha guia no labirinto que é o Metro do Porto e por a conversa em dia. Depois de alguns enganos (sair na estacao errada, ter de andar às voltas... O metro do Porto é muito bonito, mas nao é particularmente user-friendly), conseguimos chegar ao aeroporto exactamente 5 minutos antes do balcao do check-in fechar. Despacho a minha mochila e a Pisinha, e vou à procura da minha gate. Como Murphy nao perdoa, o aviao estava atrasado. Fiquei cinquenta minutos sentada, ate as 09:50, a ouvir os berros das lindas criancinhas que me iam acompanhar no voo de duas horas. Nem Audioslave aos berros no Micro conseguiam abafar as birras. Herodes foi um justiceiro mal compreendido. Se os fumadores nao podem fumar nos avioes para nao incomodarem os outros passageiros, porque é que os papás das criancinhas de acham no direito de o fazer? Possíveis solucoes para este problema:
1) misturar Vallium 10 no leitinho antes de entrarem no aviao
2)viajarem juntament com os caezinhos no porao
3)organizarem-se voos so pra familias (aturem-se uns aos outros)
Bem, depois de duas horas de suplicio, London Stanstead. Uma hora e meia na fila da emigracao, e depois, a primeira aventura do dia: Em busca da mochila perdida! Demorei tempo suficiente na emigracao para que já nao houvesse nenhum carrosel com o nome do meu voo. E, como stanstead é um aeroporto budget, o numero de empregados deve ser bastante racionado, o que pode explicar porque é que levei quase 15 minutos a encontrar alguem que me pudesse ajudar. Ao que parece, nestas situacoes, as malas continuam no mesmo carrosel, e juntam-se as malas do voo seguinte. Por fim encontrei a minha pobre mochilinha, perdida no meio da algazzara italiana de um voo de Palermo.
Ao menos, esta peripecia ajudou a matar algumas das 5 horas que eu tinha disponivel até ao voo para Eindhoven. Portanto, sai da alfandega directamente para o balcao de check-in, onde um rapazinho com um ar muito aborrecido perguntou-me muito educadamente se eu era uma potencial terrorista. E la vou eu pra gate, na esperanca de gastar os meus ricos euros em alguma coisa apetitosa. Numa das saladas do Boots, deliciosamente plasticas, ou num daquels cafes muito grandes com umas bolachinhas. Humpf, nem um nem outro. Nao se aceitam moedas de euros na zona de embarque, só notas. E com eu nao estava muito disposta a gastar mais em taxas do que no almoco, fui em jejum para o aviao, que, ao contrario das minhas expectativas, e ao contrario de quase todos os outros voos, levantou voo exactamente as 17:00. COm os holandeses nao se brinca...
O voo para Eindhoven deve ter sido bastante calminho, porque eu nao me apercebi de anda. Adormeci antes de decolar, e so acordei quando o aviao bateu no chao. A coisa mais gira do aeroporto: há imensos coelhos na relva entre as pistas. Coelhinhos aos saltos, todos contentes. Eu ainda estava á espera que um deles fosse sugado pela turbina do aviao, mas acho qeu isso so deve acontecer quando os avioes se estao a preparar para levantar voo...
À espera do autocarro para a estacao de comboios, fiz um amiguinho ingles, que estava caminho de roterdao para comecar um trabalho como criador de jogos de computador. O amiguinho deu-me bastante jeito, visto que el ja tinha morado em Eindhoven, e sabia algumas coisas basicas, como por exemplo onde era a estacao dos comboios.
Eindhoven parece uma cidade muito organizada, dominada pelo Estadio do PSV Eindhoven e pela Phillips. Aparentemente, é o quartel general da dita companhia. 2 em cada 3 edificios tinham Phillips no nome.
A estacao de comboios noa tinha nada de particular, para além de uma maquina de bebidas muito simpatica, que oferecia duas latas por uma moeda. Em troca da minha fanta de brinde, e depois de uma conversa acerca da minha paixao por chocolates, o meu novo amiguinho ofereceu-me um doce de chocolate tradicional japones (ele tinha estad 3 semanas no japao antes de vir para a holanda). Embora inicialmente nao muito confiante, lá provei o chocolate. E descobri de onde é que roubaram a idéia para a tripa com chocolate de aveiro!
Bem, finalmente, às 21:09, chegou o comboio com destino a Utrecht. A viagem foi bastante agradavel. A paisagem era extremamente verde, com florestas, lagos, carneiriinhos e ate um cervo, casinhas que pareciam saidas de um conto de fadas, pequeninas, de tijolos vermelhos.
As 22:08, sai em Utrecht, à procura do segundo comboio para Groningen. Entre um e outro, paguei 1 euro para ir à casa de banho, mas valeu a pena. Acho que nunca tinha ido a uma casa de banho publica tao limpa, perfumada, com musica ambiente e papel higiénico de boa qualidade.
Por fim, às 22:22, embarquei no ultimo troco da minha viagem. Esta foi outra que nem vi passar. Acordei com o revisor a convidar-me a sair do comboio (ou a mandar-me à merda, ou a fazer-me um convite indecente: nao percebo holandes). Cà fora, a pobre Rianne, responsavel pelo intercambios que chegam esta semana, estava à minha espera, com um ar visivelmente cansado,m as simpatico. Depois de 10 minutos a pé, durante os quais basicamente só vi o passeio à minha frente, finalmente cheguei a minha casa.
A casa é linda! Mas as escadinhas sao tao estreitas, que qs nao consegui passar com a mala. Mas isso fica pra amanha...

Kiss kiss
Lee